Muito embora os números das pesquisas apontem dois ou três favoritos ao Senado em Rondônia, continuo insistindo que uma pesquisa de candidatos ao Senado, em uma eleição com duas vagas, vai muito além da matemática elementar.
Perfil de cada candidato
A complexidade não está apenas no fato de o eleitor ter direito a dois votos. O que as pesquisas não conseguem definir, pelo modelo em que são realizadas, mesmo quando tentam aferir índices de rejeição, é o perfil de cada candidato e, principalmente, a capacidade de um nome combinar seu voto com o de outros concorrentes.
Mistério para as urnas
Quem seria o candidato capaz de “casar” seu voto com a maioria dos demais candidatos? Essa resposta não está apenas nos números de uma pesquisa. Exige um estudo comportamental do eleitor e do candidato, levando em conta histórico, posicionamentos, ações e a capacidade de cada nome transitar entre diferentes segmentos do eleitorado.
Intoxicação informativa
Mesmo em um momento de forte polarização, também é preciso considerar o nível de exposição e de intoxicação informativa dos diferentes segmentos do eleitorado. Afinal, o eleitor que escolhe um candidato como primeira opção não necessariamente o exclui da condição de segundo voto.
Por esses motivos, arrisco dizer que esta eleição poderá produzir surpresas na disputa pela segunda vaga. Até porque ser a primeira opção nas pesquisas, por si só, não assegura a primeira vaga. Por isso eu não descarto Acir Gurgacz da disputa.
Em uma eleição para duas cadeiras, pode fazer enorme diferença aquele candidato que conseguir ser o segundo voto de uma parcela significativa dos eleitores, independentemente de quem seja a sua primeira escolha.
A história explica
O fundamento para o que estou dizendo se traduz em 1994 José Bianco, 2002 Fátima Cleide, 2010 Valdir Raupp e 2018 Marcos Rogério. Nenhum deles era o primeiro colocado nas pesquisas e ficaram em primeiro lugar ao abrir das urnas.
Em 2018, por exemplo, uma pesquisa divulgada em setembro colocava Confúcio Moura em 34% e Valdir Raupp em 21%, enquanto Marcos Rogério aparecia com 14%. Na apuração, porém, Marcos Rogério foi o mais votado, com 24,06% dos votos, e Confúcio ficou em segundo, com 17, 06%.
Não estou dizendo que o instituto de pesquisa errou, mas que o formato de pesquisa em duas vagas a situação é muito mais complexa, por que ela fez apenas uma fotografia superficial, coisa que as atuais também estão fazendo.
Chiquilito fez mais voto, mas, não ganhou
Nesta Análise não citei a eleição de 1986 porque foi um sistema diferente, com sublegendas. Olavo Pires teve 95.637 votos individualmente, mas a sublegenda dele somou 151.087 votos e garantiu a primeira vaga; a sublegenda de Ronaldo Aragão somou 143.395 e ficou com a segunda.
Se fosse pelo sistema majoritário de hoje, Chiquilito Erse teria sido senador eleito. Ele foi o candidato ao Senado mais votado individualmente em Rondônia, com 102.739 votos (20,43%).
Roberto Gutierrez é jornalista. Na comunicação desde outubro de 1976, passou por todas as mídias e há quase três décadas é editorialista e analista político.