Os fãs de ficção científica, principalmente os chamados Trekkies ou Trekkers, sendo o primeiro o mais antigo, e associado ao criador de Star Trek, Gene Roddenberry, enquanto Trekker é às vezes usado por fãs que preferem uma conotação considerada por alguns como mais séria ou ativa, não têm do que reclamar no quesito literatura e produtos ligados a esse universo e as aventuras vividas pelos tripulantes da nave estelar Enterprise.
Para satisfazer a fome destes fãs ardorosos de Star Trek, os dois livros escritos por William Shatner - o eterno capitão Kirk, em parceria com Chris Kreski, Jornada nas Estrelas Memórias e Jornada nas Estrelas Memórias dos filmes são verdadeiros regalos para os aficionados do clássico seriado produzido nos anos 1960 pela Desilu e exibida pelo canal NBC, nos Estados Unidos.
As obras, respectivamente trazem histórias dos bastidores das três temporadas da série clássica. Uma viagem no tempo à criação de Roddenberry e da produção dos sete longas metragens. Os dois livros foram lançados no Brasil pela editora Nova Fronteira, em 1993 e 1994.
Enquanto no primeiro livro, Shatner traz aos leitores e fãs as suas lembranças dos três anos intensos e repletos de altos e baixos da produção que, para tristeza dos admiradores, acabou cancelada, quase em velocidade de dobra, na terceira temporada totalizando 79 episódios filmados e exibidos.
O segundo livro, Shatner nos leva aos bastidores dos longas inspirados no seriado. São muitas histórias e recordações sobre a realização de Jornada nas Estrelas, o filme, e os demais que viriam - alguns bons, outros nem tanto. Os filmes marcam - obviamente com muitos conflitos, egos inflados e produtores relitantes, a passagem de Leonard Nimoy para a cadeira do diretor. Ele esteve à frente de dois dos títulos: Star Trek III: À Procura de Spock (1984) e Star Trek IV: A Volta para Casa (1986).
Até o momento apenas os livros de memórias de William Shatner e Eu sou Spock, de Leonard Nimoy foram lançados no Brasil. Os demais apenas nas versões em inglês.
Nimoy foi o primeiro dos atores da série clássica a dirigir filmes da franquia. O segundo foi William Shatner, que dirigiu um dos mais fracos: Star Trek V: A Última Fronteira (1989).
Nos relatos, Shatner não se abstém de revelar segredos e rivalidades, inclusive conta que seu ego fazia com os demais membros do elenco se afastassem dele e alguns até desabafaram durante as entrevistas, principalmente quanto aos longas. Afinal, ele se considerava a estrela do seriado e os demais meros figurantes, no entanto, a medida que os episódios iam sendo exibidos personagens como Spock, Dr. McCoy, Uhura, Scott - este se recusou a dar entrevistas para Shatner -, Sulu e Chekov também ganhavam popularidade e fãs.
Eu não sou Spock não foi lançado em português. Apenas o segundo livro de Leonard Nimoy- Eu sou Spock.
Memórias dos filmes serve como uma leitura complementar ao Memórias anterior. Exatamente por trazer à tona curiosidades, conflitos de relacionamentos, mais tarde superados, afinal o elenco original atuou junto cinco décadas e isso não é pouco. Por conta de desabafos como a de Nichelle Nichols, que foi bem sincera, alguns atores e membros das equipes gostariam de ter teletransportado Kirk para um planeta desconhecido e preferencialmente não sendo da categoria M, ou seja, um local distante e sem oxigênio.
A franquia no cinema contou com o veterano Robert Wise, diretor do primeiro longa - um filme mais filosófico do que ficção científica. Outro bom cineasta, Nicholas Meyer, dirigiu dois longas da saga - Star Trek II: A Ira de Khan (1982), um dos melhores e ainda o irregular Star Trek: A Terra Desconhecida (1991). Todos contribuíram para o fortalecimento da genial criação de um obstinado e talentoso homem chamado Gene Roddenberry, apelidado "O Grande Pássaro da Galáxia".
Capa do livro Eu sou Spock lançado no Brasil pela editora pela editora Mercúryo.
Shatner explica a origem do epiteto dado por Robert H. Justman, produtor associado da série original, devido à forma como Roddenberry "aparecia e desaparecia" da produção e, possivelmente, uma brincadeira sobre sua movimentação. A expressão é uma referência humorística a uma divindade ou criatura mencionada em Star Trek.
Não poderia deixar de mencionar que Leonard Nimoy também escreveu e lançou um livro de memórias sobre sua participação no seriado Jornada nas Estrelas. Saiu em 1997 com o título "Eu sou Spock". Antes, o ator havia publicado "Eu não sou Spock", no entanto se arrependeu ao perceber a popularidade, não apenas do personagem, mas a dele também.
Aém de Shatner e Nimoy, outros atores do elenco original da série e dos filmes, lançaram livros de memórias e autobiografias explorando suas carreiras e bastidores das produções.
George Takei (Sulu) escreveu "To the Stars: The Autobiography of George Takei" (1994), onde narra sua infância em campos de internação nipo-americanos, sua carreira e experiências em Star Trek, incluindo conflitos com William Shatner. Ele também lançou graphic novels autobiográficas, como "They Called Us Enemy" e "It Rhymes with Takei".
Nichelle Nichols (Uhura) lançou "Beyond Uhura: Star Trek and Other Memories" (1994), detalhando sua vida, carreira e o impacto significativo de seu papel na série. Walter Koenig (Chekov) escreveu memórias como "Warped Factors: A Trekker's Odyssey" e contribuiu para Phasers on Stun!, contando suas experiências na franquia.
James Doohan (Scotty) publicou sua autobiografia "Beam Me Up, Scotty: Star Trek's "Scotty" in His Own Words". Sem falar dos livros escritos por especialistas em Star Trek e publicados no Brasil nas últimas quatro décadas. Mas aí já é outra história.
Vida longa e próspera à Jornada nas Estrelas...