As tradicionais populações ribeirinhas do vale do rio Madeira e seus peculiares e plurais modos de vida, sobrevivem sob uma negligente cortina de apagamento, fazendo com que essas coletividades beiradeiras sejam criminosamente silenciadas e estigmatizadas com resultado violento do exercício da desonra pública repugnante.
As vozes da floresta são cotidianamente violentadas, e suas línguas escravizadas se tornam asfixiadas sob o olhar estereotipado e moroso do poder público vigente. Com a linguagem visivelmente excluída, essas vozes são caladas pelo ódio, enquanto a fala suplicante não é ouvida e não é tolerada por uma sociedade envolvente que hostiliza, desterra e mata.
O lugar beiradeiro se torna desalojado, a liberdade é execrada pela tirania, o bem viver é despoticamente condenado, os modos de vida são ceifados pela insolência doentia, e seus tradicionais saberes do arquétipo ontológico de mundo, são extirpados da alma e penalizados à viverem eternamente no império desumano do malogro.
Diante da derrocada exacerbada da vida, os povos ribeirinhos são silenciados por um modelo desenvolvimentista de crescimento que favorece apenas ao capitalismo espoliante de uma geopolítica internacional que secularmente vem engordando os cofres do capital, com suas negociatas espúrias.
É através dessa empáfia degradante de uma geopolítica conservadora e ultrapassada, que as populações tradicionais são condenadas à sobreviverem sob o patíbulo da invisibilidade social excludente.