O caso Marta chocou a todos os rondonienses. A fé é descrita como o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. É caminhar sem ver, confiando na providência divina. É definida como a certeza do que se espera e a prova do que não se vê (Hebreus 11:1), ela impulsiona ações e esperança. Assim deveria ser, todo e qualquer ser humano ser respeitado pela sua FÉ e não morrer por ela.
O caso da adolescente Marta, que foi encontrada morta com sinais de violência, é a prova do estrago que faz a violência religiosa contra mulher, através do silenciamento. A liberdade religiosa termina onde começa a violação da dignidade da mulher. Marta, teve sua vida ceifada, mas antes teve sua autonomia enquanto mulher retirada, sem direito a estudar, ter amigos e contatos com o mundo externo. E a comunidade? Não meteu a colher! O pai estava criando. Poderia decidir sobre a sua vida e como ela deveria agir.
A fé, no caso Marta, foi usada para silenciar, castrar e manter um horroroso cenário de violência contra a mulher. Os falsos profetas detentores da moral e dos bons costumes, em nome de DEUS, cometem as maiores atrocidades. Esse nome tem muito poder e muitas pessoas se aproveitam dele para cometer e justificar verdadeiros absurdos.
A religião utilizada para constranger, ameaçar, silenciar e constranger ou manter uma mulher em situação de violência não se trata de liberdade religiosa. Estamos diante de violação de direitos fundamentais.
A Constituição Federal, no artigo 1º, III, estabelece como fundamento da República a dignidade da pessoa humana.
O artigo 5º, I, garante a igualdade entre homens e mulheres. E o artigo 5º, VI, assegura a liberdade religiosa, que como todo direito constitucional, não é absoluto. Nenhuma prática religiosa pode se sobrepor:
• ao direito à vida,
• à integridade física,
• à integridade psicológica,
• à liberdade da mulher.
A Lei Maria da Penha reconhece como violência doméstica não apenas a agressão física, mas também a violência psicológica, moral e patrimonial. Se líderes religiosos ou membros da comunidade:
• pressionam a vítima a permanecer com o agressor;
• utilizam argumentos espirituais para intimidar;
• culpabilizam a mulher pela violência sofrida;
• ameaçam exclusão religiosa como forma de controle;
isso pode configurar violência psicológica e até coação moral. Fé é Direito, Violência é crime. Justiça por Marta! Aline Leon.