Se o candidato não ganha em casa acaba fritinho da silva
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Já ruidosos acima do aceitável, os entrechoques entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário semeiam insegurança e incerteza entre os cidadãos. Também já não é mais novidade o bate-cabeça entre setores internos do governo federal nos mais diversos setores. Diante de tantas ocorrências confusas, o Ministério Público Federal estar processando a Agência Nacional de Mineração por falhas na fiscalização do garimpo de ouro na Amazônia está longe de ser uma novidade.
Pelo que se sabe, o Ministério Público sustenta que os garimpeiros ilegais aproveitam a falta de regulamentação para extrair grandes quantidades de ouro em unidades de conservação e terras indígenas, usando pequenas áreas licenciadas como fachada. Como sempre ocorre quando essas verdades aparecem, a pergunta obrigatória é por que só agora ocorrem essas revelações.
O período eleitoral talvez explique alguma coisa, mas não se pode ignorar que o conjunto de medidas aplicadas nos últimos anos não foram em vão. Contribuíram de fato para a queda na lavagem de ouro. O que há de mais preocupante é que o ouro extraído ilegalmente agora é contrabandeado, seguindo para fora do país. Mais difícil de explicar são altos servidores da ANM postos sob investigação pelo suposto recebimento de propina para favorecer empresas de mineração. É muito ruído. Será terrível se depois das eleições ninguém mais tocar no assunto.
Nas eleições 2026, a onda bolsonarista foi tão forte em Rondônia que poucos candidatos ao governo de Rondônia fizeram o dever de casa ganhando em seus redutos. Em Porto Velho, por exemplo, o ex-prefeito Hildon Chaves (União) que esperava uma vitória espetacular, apanhou feio do candidato bolsonarista Marcos Rogério, que obteve 139 mil votos contra apenas 85 mil de Hildon Chaves. Se o candidato não ganha em casa acaba fritinho da silva. No caso do ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria ele fez bem o dever de casa. Lá no seu município Fúria bateu Rogério com 54 por cento dos votos contra 33 por cento de Marcos Rogério.
Diante de uma onda avassaladora do bolsonarismo em Rondônia, muitos candidatos a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, dos mais cotados caíram do cavalo. No caso da Assembleia Legislativa, o vereador mais votado de Porto Velho, Márcio Pacele sucumbiu, assim como o ex-deputado e ex-prefeito Carlos Magno em Ouro Preto do Oeste, a candidata Marley Mezomo em Ariquemes, Ari Saraiva em Ji-Paraná, a ex-deputada Cassia dos Muleta em Jaru, Ninho Textoni em Ouro Preto do Oeste, entre outros nomes amplamente conhecidos no cenário político estadual. Voltando a capital, os vereadores Breno Mendes, Marcos Combate, Dr. Santana e Everaldo Fogaça ficaram longe da eleição.
Para a Câmara dos Deputados tivemos também casos como do ex-prefeito de Ji-Paraná Jesualdo Pires, do ex-prefeito de Porto Velho Mauro Nazif, ex-deputado federal Natan Donadon de Vilhena. Jesualdo era cotado para ser o mais votado no estado, por exemplo. Na capital, se apostava na recuperação do ex-prefeito e ex-deputado federal Mauro Nazif que também se se deu mal nas urnas. As lideranças emergentes na capital Euma Tourinho e Célio Lopes tiveram votações pífias nos confrontos com os deputados federais atuais que se reelegeram, coronel Chisostomo, Mauricio Carvalho e Cristiane Lopes.
Na disputa ao Senado foi confirmado o favoritismo do deputado federal Fernando Máximo desde as primeiras pesquisas eleitorais ainda no ano passado. O que não se acreditava é que a segunda cadeira ficaria para o fazendeiro Bruno Scheidt, mas a onda bolsonarista nos últimos dias garantiu ao milionário pecuarista sua presença no Congresso Nacional, superando duas candidatas consideradas competitivas, que eram Silvia Cristina (Ji-Paraná) e Mariana Carvalho (Porto Velho). E no âmbito de Brasil estamos avançando para uma alternância de poder a cada quatro anos entre petistas e bolsonaristas. A conferir neste segundo turno.
O senador Marcos Rogério (PL) está se notabilizando por obter grandes vitórias nas casas dos adversários. Assim foi num embate com Confúcio Moura (MDB) ao Senado em Ariquemes e Vale do Jamari, e agora, na eleição de 2026, aplicando uma sova de votos no ex-prefeito Hildon Chaves em Porto Velho. Foram resultados consagradores. Em Porto Velho, o grande resultado obtido também tem a ver com sua aliança com o deputado federal Fernando Máximo (PL) que se elegeu ao Senado e com o atual prefeito da capital Leo Moraes e ao mesmo tempo com a apatia no ex-tucano nos debates onde vacilou muito nos confrontos com os adversários.
Assistimos uma grande aliança levando o senador Marcos Rogério (PL) ao governo de Rondônia na eleição de 2026. Mas não é uma coalizão de grande duração. No meio desta aliança teremos vários candidatos ao Palácio Rio Madeira no pleito de 2030. Vejam alguns deles: 1-Senador eleito Fernando Máximo (PL) 2- Prefeito de Porto Velho Leo Moraes (Podemos) 3 –Senador eleito Bruno Scheidt (PL) 4 – Deputado federal Lucio Mosquini (PL). E ele, próprio, Marcos Rogério, a reeleição. E neste cenário, com quem o clã Bolsonaro ficaria de mãos dadas? Bruno Scheidt, com certeza, que é o candidato da família. É coisa de louco!
***Parabéns ao povo de Porto Velho! O crime organizado despejou milhões nesta recente eleição e não elegeu nenhum dos seus quatro candidatos a Assembleia Legislativa. Todo pleito as facções elegiam pelo menos dois parlamentares *** Com tantas mulheres disputando cargos na Assembleia Legislativa esperava-se que a bancada feminina fosse ampliada na próxima legislatura. Não foi o que ocorreu, a bancada acabou perdendo força. As deputadas Lebrinha, Rosangela Donadon e Ieda Chaves não lograram a reeleição *** A Era Marcos Rocha vai terminando melancolicamente no Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual. O governador eleito Marcos Rogério promete mudanças.
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