A Polícia Civil concedeu, na manhã desta quarta-feira (2), uma entrevista coletiva em Vilhena para apresentar detalhes da investigação sobre o assassinato do dentista Clei Bagattini, executado a tiros dentro de sua clínica, na região central da cidade.
A coletiva foi conduzida pelos delegados Mayckon Pereira e Núbio Lopes de Oliveira, responsáveis pela investigação.
O caso entrou em uma nova etapa após a prisão preventiva de dois casais, capturados em Vilhena e Cacoal.
Durante a entrevista, os delegados foram questionados sobre a motivação do assassinato e a possibilidade de identificação do mandante da execução. Segundo eles, neste momento, a Polícia Civil ainda não pode divulgar a motivação nem apontar oficialmente quem teria determinado a morte do dentista.
A justificativa é que ainda não existem elementos probatórios suficientes para incriminar o principal suspeito.
Investigados permaneceram em silêncio
O casal preso em Vilhena exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o interrogatório.
Em relação ao casal localizado em Cacoal, a Polícia Civil não informou detalhes sobre a postura dos investigados durante os procedimentos.
O casal preso em Cacoal deverá ser transferido para Vilhena, onde está concentrada a investigação do homicídio.
De acordo com os investigadores, os quatro presos teriam participado do planejamento e dado suporte à execução do crime, que teria sido realizada por um pistoleiro contratado.
O homem apontado como executor morreu durante um confronto com policiais antes de ser levado a julgamento.
Celulares teriam sido destruídos
Um dos obstáculos encontrados pela investigação estaria relacionado à tentativa de apagar vestígios do crime.
Segundo os delegados, aparelhos celulares utilizados pelos integrantes do grupo teriam sido destruídos logo depois do assassinato de Clei Bagattini.
A medida, conforme a investigação, pode ter sido adotada justamente para dificultar o trabalho dos investigadores e impedir que informações armazenadas nos aparelhos levassem aos demais envolvidos na trama.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que as ações foram planejadas de forma a dificultar a identificação de quem estaria no nível mais alto da estrutura criminosa e, principalmente, de um eventual mandante.
Investigação cita antigo “Escritório do Crime”
Durante a coletiva, os delegados também revelaram a existência de informações sobre uma organização criminosa que teria atuado em Vilhena e ficado conhecida no meio policial como “Escritório do Crime”.
Segundo a Polícia Civil, o grupo estaria relacionado a outros episódios violentos ocorridos na cidade, que são investigados em procedimentos distintos.
Os investigadores afirmaram que pessoas presas nesta semana teriam ligação com essa organização.
Entre os integrantes apontados pela polícia estaria Matheus Araújo Brecher, conhecido como “Matheuzinho”, considerado um dos criminosos mais violentos da região. Ele morreu no ano passado durante um confronto com policiais.
Apesar da suposta ligação com o grupo, os delegados foram enfáticos ao afirmar que Matheuzinho não teve participação na execução do dentista Clei Bagattini.
Inquérito já ultrapassa 2 mil páginas
Com o avanço das prisões, a Polícia Civil considera encerrada uma segunda etapa da investigação e inicia agora uma terceira fase do trabalho.
O inquérito já ultrapassa 2 mil páginas e reúne informações obtidas ao longo das investigações.
A prioridade, segundo os delegados, é reunir elementos suficientes para esclarecer toda a cadeia de participação no assassinato, principalmente quem teria financiado ou determinado a execução.
A Polícia Civil evita confirmar nomes enquanto não houver provas consideradas robustas para sustentar eventual responsabilização.
Suspeito teria deixado Vilhena
Embora não tenham confirmado oficialmente a identidade de um possível mandante, os delegados indicaram que existe um principal suspeito sendo investigado.
Segundo informações apresentadas durante a coletiva, esse investigado teria deixado Vilhena depois das prisões realizadas pela Polícia Civil.
A saída da cidade, porém, não significa, por si só, que o suspeito tenha cometido o crime.
A própria Polícia Civil reforçou que ainda busca elementos que possam confirmar ou afastar sua participação.
A investigação segue em andamento e deverá avançar a partir dos depoimentos, das informações já reunidas no inquérito e da análise dos vínculos entre os investigados.
O objetivo da terceira fase é chegar ao possível mandante com provas suficientes para esclarecer não apenas quem participou diretamente da execução, mas também quem teria ordenado a morte do dentista.