GASTRONOMIA AMAZÔNICA: Chef Pedro Bagattoli valoriza sabores regionais em Vilhena

De experiências em família e em um laticínio à formação em Gastronomia, chef construiu trajetória com restaurantes, bufê, eventos, ensino e produção de conteúdo

GASTRONOMIA AMAZÔNICA: Chef Pedro Bagattoli valoriza sabores regionais em Vilhena

Foto: Divulgação

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A história do chef Pedro Bagattoli com a gastronomia começou muito antes da formação profissional.
 
Nascido em Vilhena e criado em Chupinguaia, ele teve dentro da própria família as primeiras experiências com a produção de alimentos.
 
A rotina caseira, acompanhando a mãe na preparação de bolachas, massas, bolos e pães, ajudou a construir uma relação afetiva com a cozinha que anos depois se transformaria em profissão.
 
Ainda jovem, Pedro também trabalhou em um laticínio, onde começou a compreender o caminho percorrido por um alimento antes de chegar à mesa.
 
Foi, porém, em um empório gourmet que descobriu que sua relação com a gastronomia poderia ir além da experiência familiar.
 
O contato mais próximo com a cozinha despertou o interesse pela profissão.
 
A partir dali, começou a pesquisar sobre a área e decidiu estudar Gastronomia.
 
Para realizar o projeto, financiou a própria graduação e deixou a região para estudar na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
 
Durante o curso, conciliou os estudos com o trabalho em restaurantes, experiência que permitiu conhecer diferentes modelos de operação e aprofundar os conhecimentos adquiridos na faculdade.
 
Foi também nesse período que confirmou que havia escolhido a profissão que queria seguir.
 
A volta para Vilhena
 
Em 2018, depois da formação e da experiência adquirida fora, Pedro voltou para Vilhena com a intenção de aplicar na cidade aquilo que havia aprendido.
 
A ligação com o município permanecia forte, principalmente por ser o lugar onde cresceu e onde estava sua família.
 
Mas a decisão de retornar também estava relacionada à percepção de que havia espaço para uma gastronomia profissional na cidade.
 
Foi assim que nasceu o Bufê Chef Pedro Bagattoli, primeira empresa criada por ele, voltada à realização de diferentes tipos de eventos.
 
No mesmo ano, também participou da inauguração do Sugestão do Chef, trabalhando com restaurante por quilo e pratos à la carte.
 
A trajetória empresarial continuou crescendo.
 
Em fevereiro de 2020, ao lado do irmão e sócio, André Vitório Bagattoli, assumiu o Restaurante e Conveniência Catarinense, uma operação que funciona 24 horas.
 
Em novembro de 2024, veio mais um projeto: o Sugestão do Mate, especializado em mates gelados batidos com frutas, além de lanches e salgados.
 
A multiplicação dos negócios trouxe também um novo desafio: administrar operações completamente diferentes.
 
 
Ser chef também é administrar
 
A rotina de Pedro mostra que comandar uma cozinha profissional está longe de significar apenas criar receitas.
 
Cada uma das operações possui necessidades próprias e exige atenção permanente a equipe, compras, estoque, custos, desperdício, padronização, produção, atendimento e qualidade.
 
A gestão passou a ocupar uma parte importante do trabalho do chef, que considera um dos principais desafios crescer sem perder a identidade construída ao longo dos anos.
 
Por isso, além de desenvolver novos produtos, ele busca melhorar processos e investir na formação das equipes.
 
 
O “Tempero de Casa”
 
A influência da família permanece presente na maneira como Pedro pensa a gastronomia.
 
A relação com a comida preparada em casa pela mãe se transformou no conceito que acompanha seu trabalho: “Tempero de Casa”.
 
A ideia é preservar a sensação de uma comida preparada com cuidado mesmo quando a produção precisa atender centenas de pessoas.
 
Para isso, a cozinha profissional exige processos, organização, padronização e treinamento.
 
Mas, segundo o chef, a profissionalização não pode eliminar aquilo que considera essencial: sabor, identidade e a sensação de uma comida que desperta memória afetiva.
 
O desafio está justamente em aumentar a escala sem perder a essência.
 
 
O sabor da Amazônia
 
Outra frente que ganhou espaço na trajetória do chef é a valorização da gastronomia amazônica.
 
Ingredientes como pirarucu, tambaqui, castanha, cumaru, jambu e tucupi fazem parte de sua pesquisa e de suas criações.
 
Para Pedro, Rondônia está inserida em uma região com enorme riqueza gastronômica, formada por peixes, frutas, castanhas, ervas, raízes e outros produtos que possuem características próprias.
 
A proposta não é necessariamente apresentar esses ingredientes apenas da maneira tradicional, mas encontrar novas possibilidades de utilização e aproximá-los de consumidores que ainda não estão acostumados com determinados sabores.
 
Esse trabalho também representa uma forma de valorizar produtores e toda a cadeia existente por trás dos ingredientes regionais.
 
 
A cozinha que vai para a rua
 
Além dos restaurantes, os eventos se tornaram uma parte importante da carreira de Pedro.
 
Casamentos, jantares, eventos corporativos e festivais exigem uma organização diferente daquela encontrada em uma cozinha convencional.
 
Em muitos casos, é necessário transportar equipamentos e ingredientes, montar uma estrutura temporária, organizar armazenamento, deslocar equipes e finalizar os pratos fora da cozinha habitual.
 
E existe um fator que torna esse trabalho ainda mais exigente: o evento acontece uma única vez.
 
Para o chef, portanto, trabalhar com grandes eventos não significa apenas saber cozinhar para muitas pessoas.
 
É necessário planejar cada etapa e antecipar situações que possam comprometer o serviço.
 
 
Eventos gastronômicos fortalecem a cidade
 
Pedro também participou de eventos gastronômicos importantes de Vilhena, entre eles o Sicoob Sabor, inclusive assinando pratos para jantares especiais.
 
Na avaliação do chef, iniciativas desse tipo têm importância que vai além da experiência proporcionada ao consumidor.
 
Um festival movimenta restaurantes, mas também envolve produtores, fornecedores, equipes, empresas, comércio, turismo e outros profissionais.
 
Para os chefs, também representa uma oportunidade de sair da rotina, pesquisar novos ingredientes, testar combinações e desenvolver novas formas de apresentar a gastronomia.
 
Esse movimento contribui para fortalecer a identidade gastronômica de Vilhena e mostrar que a cidade possui profissionais, empreendedores e produtos capazes de construir uma gastronomia própria.
 
 
Da cozinha para as redes sociais
 
A atuação de Pedro também ganhou uma dimensão digital.
 
O que começou como uma forma de mostrar o próprio trabalho se transformou em uma produção de conteúdo que alcança centenas de milhares de pessoas.
 
Nas redes sociais, o chef apresenta receitas simples e preparações mais elaboradas, mostra bastidores dos restaurantes e eventos, apresenta técnicas e ingredientes e compartilha parte da rotina de quem trabalha profissionalmente com gastronomia.
 
O objetivo não é apenas mostrar o prato pronto, mas revelar o que existe por trás dele.
 
Planejamento, produção, organização, erros, acertos e trabalho de equipe também fazem parte do conteúdo.
 
Com isso, as redes sociais passaram a funcionar simultaneamente como ferramenta de comunicação, aproximação com o público e fortalecimento dos empreendimentos.
 
 
Compartilhar conhecimento
 
A experiência profissional também levou Pedro ao ensino.
 
O chef passou a oferecer cursos e conteúdos voltados à gastronomia, incluindo uma formação dedicada aos sabores amazônicos.
 
Para ele, compartilhar conhecimento é parte da própria evolução profissional.
 
Ao longo da carreira, Pedro também aprendeu com professores, colegas de trabalho e outros profissionais.
 
Por isso, entende que ensinar técnicas e receitas ajuda a ampliar o número de pessoas que conhecem e valorizam os ingredientes da região.
 
No caso da gastronomia amazônica, esse compartilhamento ganha uma dimensão ainda maior: quanto mais profissionais aprenderem a trabalhar com produtos regionais, maior pode ser a valorização desses ingredientes e das pessoas envolvidas em sua produção.
 
 
O próximo passo
 
Depois de construir uma trajetória que reúne bufê, restaurantes, eventos, ensino e produção de conteúdo, Pedro Bagattoli não separa crescimento empresarial de desenvolvimento gastronômico.
 
A intenção é continuar ampliando os negócios, melhorar a qualidade das operações, desenvolver as equipes e seguir trabalhando com ingredientes da região.
 
Mas existe também um objetivo maior: contribuir para que Vilhena seja cada vez mais reconhecida pela sua gastronomia.
 
Para o chef, isso não depende de uma única pessoa.
 
A construção de uma referência gastronômica regional passa pelo trabalho conjunto de chefs, restaurantes, produtores, empresários e instituições.
 
É nesse cenário que Pedro pretende continuar sua trajetória: mantendo o “Tempero de Casa” como identidade, explorando os sabores da Amazônia e ajudando a mostrar que Vilhena tem não apenas consumidores de boa comida, mas também profissionais e empreendedores capazes de criar uma gastronomia com identidade própria.

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