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Após morte de garota, casos de feminicídio causam indignação a mulheres

Atendente comercial foi morta neste mês pelo namorado

FOLHADOSULONLINE

20 de Abril de 2018 às 10:08

Após morte de garota, casos de feminicídio causam indignação a mulheres

FOTO: (Divulgação)

No dia 20 de abril de 2017, por volta das 16h00, o correspondente do FOLHA DO SUL ONLINE em Cerejeiras recebeu uma ligação. Do outro lado da linha, um mecânico pedia ajuda: uma jovem havia desaparecido e não  ainda tinha voltado para casa desde às primeiras horas da manhã.

 

jovem era Jéssica Hernandes, de 17 anos, encontrada morta cinco dias depois. O aparente desaparecimento era, na verdade, um dos crimes mais brutais de que já se teve notícia em Cerejeiras.

 

Assim que o corpo da jovem foi encontrado numa linha rural, marcado por cortes e perfurações, três suspeitos foram presos. O próprio namorado de Jéssica, Ismael Silva, o primo dele, Diego Parente, e a esposa de Diego, Indiana Parente.

 

Quando as investigações avançaram, dois suspeitos foram soltos. Primeiro Indiana e, depois, Ismael. O júri popular do caso ocorrerá ainda neste ano.

 

O caso marcou uma terrível tendência em Cerejeiras: o feminicídio. Este tipo de crime é cometido tendo como principal motivador o fato de a vítima ser mulher.

 

Neste mês de abril, quase um ano após a morte de Jéssica, a atendente comercial Luana Silva também foi morta. O namorado, Ivonei Ferreira a matou a tiros e logo após se suicidou.

 

O assassinato de Luana trouxe à memória coletiva, especialmente das mulheres, o crime do ano anterior. “No ano passado foi a Jéssica. Agora a Luana. Pelo amor de Deus: parem de matar as nossas mulheres. Parem de nos matar!”, postou uma cerejeirense no Facebook. A postagem viralizou entre as moradoras da cidade. 

 

Ao FOLHA DO SUL ONLINE, o delegado da Polícia Civil em Cerejeiras, Rodrigo Spiça, que investigou o caso Jéssica, afirma que não se pode afirmar que houve um aumento de feminicídio na cidade, mas faz uma observação importante. “É difícil afirmar se aumentou ou não. Fiquei dois anos na cidade e foram dois casos. Senti que aumentaram os casos de incêndio em situação de violência doméstica”, explicou o delegado.

 

A reportagem da FOLHA apurou que, nos últimos dois anos, pelo menos três incêndios intencionais ocorreram em Cerejeiras, todos eles em casos de feminicídio.

 

Seja como for, por tiros ou por incêndios, a revolta das mulheres contra o feminicídio em Cerejeiras ou em qualquer lugar do mundo é plenamente compreensível e justificada.

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