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SKATE: Agora cartola, Burnquist quer maconha liberada no esporte

Em entrevista, o skatista fala sobre a vida de cartola e como vem encarando problemas espinhosos, como os casos de doping de integrantes da seleção brasileira

FOLHAPRESS

9 de Junho de 2018 às 11:03

SKATE: Agora cartola, Burnquist quer maconha liberada no esporte

FOTO: (Divulgação)

Uma cena causou espanto na sede do COB (Comitê Olímpico do Brasil) em março deste ano, durante a eleição para a escolha do vice-presidente da entidade. Bob Burnquist, 41, fez um pedido inusitado a Paulo Wanderley, presidente do comitê nacional e que comandava a assembleia extraordinária naquele dia. "Posso ir de skate até aí?", perguntou.

 

Além de ídolo do esporte, Burnquist é presidente da CBSK (Confederação Brasileira de Skate), uma das cinco novas integrantes do programa de competições na Olimpíada de Tóquio, em 2020.

 

Em entrevista, o skatista fala sobre a vida de cartola e como vem encarando problemas espinhosos, como os casos de doping de integrantes da seleção brasileira. Um deles, Pedro Barros, foi flagrado com substância derivada da maconha em exame realizado em janeiro. Barros é um dos melhores do mundo na modalidade park.

 

Você acha que sua presença foi decisiva para resolver a questão do reconhecimento da CBSK pelo COB?

 

Sim, foi. Até porque eu não entraria nessa se não soubesse que eu poderia ajudar. Sei da força que eu tenho. Não sabia se iria conseguir, mas que teria a força para isso. Usei todos os meus contatos dizendo que a gente precisava resolver aquela situação e deu tudo certo.

 

Os skatistas brasileiros já assimilaram a cultura olímpica? Por exemplo, em relação ao doping?

 

É um momento educacional. Temos dado uma atenção especial a isso. Obviamente que aquelas substâncias que são conhecidas como doping, todos precisam ficar ligados. O que eu mesmo venho aprendendo são situações como no caso em que o atleta está com uma febre, toma um remédio que tem uma "máscara" e que é doping. Sem estar educado quanto a isso, pode entrar numa situação que não é legal.

 

E que tipo de orientação a confederação tem dado aos atletas?

 

Estamos reforçando que precisam ficar atentos. Foi o caso do Ítalo [Peñarrubia, que também testou positivo no exame em janeiro], que tomava um medicamento controlado, mas não comunicou na hora do exame.

 

O que acha da maconha ser considerada doping?

 

Acho que substâncias como THC ou Canabidiol não deveriam estar na lista da Wada (Agência Mundial Antidoping). Se queremos fazer parte do movimento olímpico temos que respeitar as regras. Não pode usar em competição, simples assim. Deveríamos iniciar um movimento para que ela deixe de ser proibida. Ela é uma substância que ajuda no combate a dor e a não usar os opioides. Existem certos opioides que não são doping, mas te viciam e estragam o organismo. Já a cannabis, que é natural, não tem efeito colateral e acaba sendo a melhor forma de lidar com a dor, não pode.

 

Que tipo de apoio que a CBSK está dando aos atletas que testaram positivo?

 

Estamos dando um suporte, indicando advogados para ajudar no processo do recurso, a coisa já está bem encaminhada e eles estão bem assessorados. O que podemos fazer é direcionar esses casos aos advogados.

 

Qual a expectativa para Tóquio-2020?

 

A gente acredita muito muito nos nossos skatistas, basta ver que estão sempre no pódio nas competições internacionais. Temos nomes novos aparecendo também e outros que podem aparecer no ano que vem. Temos tudo para ter um ótimo resultado.

 

PERFIL - BOB BURNQUIST, 41

 

Filho de mãe brasileira e pai americano, começou a andar de skate aos 11 anos. Conquistou 30 medalhas nos X-Games, e foi dez vezes campeão mundial. Foi eleito sete vezes o melhor skatista do ano.

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