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ABUSO: PM saca arma dentro das barcas e apreende material eleitoral

"Arma mata", gritaram militantes do PSOL. "Ideologia mata mais", respondeu policial

JORNAL DO BRASIL

16 de Agosto de 2018 às 15:57

 

No primeiro dia previsto pelo calendário eleitoral para campanhas nas ruas, o fotógrafo do Jornal do Brasil, Bruno Kaiuca, registrou um tumulto entre um PM e a vereadora de Niterói e candidata à deputada federal pelo PSOL Talíria Petrone, dentro da barca que faz o trajeto Rio-Niterói. A ação do policial envolvia o material de campanha de Talíria Petrone. O PM chegou a sacar sua arma durante o tumulto, o que causou a reação dos militantes. "Arma mata", gritaram. "Ideologia mata mais", respondeu o PM. O registro do fotógrafo foi apreendido pelo PM, encaminhado à 4ª Delegacia de Polícia e depois liberado. 

 

O PM teria alertado à equipe psolista de que não era permitido panfletagem dentro do transporte público. O policial sacou a arma e gritou "senta aí!". "Prendo se preciso for, sou policial" disse em outro momento. A vereadora reagiu: "Chega, chega, o senhor está equivocado." Uma mulher reforçou: "Ele pegou uma arma, ele nos ameaçou". O policial novamente ordenou: "Deixa isso aí", fazendo possível referência ao material de campanha. Outra disse: "Deixa aí, porque arma mata". E o policial respondeu: "Ideologia mata mais". 

 

Sobre o incidente

Por volta das 9h, uma forte discussão chamou a atenção do repórter cinematográfico do JB, que fez o registro com fotografia e vídeo. "Eu estava indo para uma pauta quando percebi o tumulto e o instinto de repórter me fez ir atrás do ocorrido", explica Bruno Kaiuca. 

 

As imagens mostram que o PM, um sargento ainda não identificado, abordava de forma veemente a candidata à deputada federal pelo Psol e sua equipe, e questionava a vereadora sobre o motivo de ela estar com o material de campanha. O vídeo também mostra o policial sacando a arma para intimidar os psolistas. Populares se levantaram e se manifestaram contra a ação do PM. 

 

O material de trabalho, o crachá e o RG do fotógrafo do JB foram apreendidos pelo PM. Bruno Kaiuca conta que acompanhou o PM até a delegacia para reaver seus pertences, com agentes do Centro Presente. "Eu estava registrando o episódio e o PM arrancou meu crachá e meu RG", relata. Mais tarde, Bruno recuperou os documentos e o material gravado e fotografado. 

 

Nas redes sociais, a vereadora do Psol, que é candidata a deputada federal, repudiou a ação do agente policial e disse que foi  "vítima de abuso policial". "Estávamos, eu e mais quatro companheiras, nos preparando para tirar uma selfie, segurando um panfleto, animadas para divulgar nossos sonhos. No momento da foto, um policial militar nos abordou de forma extremamente violenta, batendo no meu telefone e dizendo que não podíamos fazer aquilo ali. Apreendeu nossos materiais, que apenas carregávamos para panfletagem que faríamos na praça XV", escreveu Talíria Petrone no Facebook.  

 

A vereadora do PSOL também questionou a forma como foi abordada: "Se comigo, com a gente, foi assim, imagina na favela, com pobre e preto. Não passarão com seu ódio. Seguimos em luta". 

 

Posição da PM e da CCR

O JB entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, que ficou de divulgar uma posição sobre o fato. 

Já a CCR Barcas afirmou que não é permitido distribuição de material de campanha eleitoral dentro das embarcações e das estações, segundo determinação do TSE.  

 

 

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