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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

17 de Julho de 2019 às 09:10

 

MARCUS MENDONÇA DANIN

 

Poeta de Rondônia.

Membro da Galeria dos Poetas do Momento Lítero Cultural

 

POESIAS

 

1-AS CORES DE RITA QUEIRÓZ

 

As cores de Rita Queiróz invadiram

meus olhos e não saíram nunca mais

Seus matizes poéticos fizeram do meu olhar,

Cativo eterno dos seus traços magistrais

 

Trouxeram as canaranas, as piracemas

O beiradão os batelões, a canoa encantada

Deslindando as labirínticas paisagens

De rios, céus e sonhos

 

Trouxeram a doçura rosa do boto

As travessuras do outro

A algaravia dos pássaros

A poesia dos bichos no versejar

verdejante da manhãs amazônicas

 

Trouxeram os delgados açaizeiros

As gigantes raízes samaumeiras

A floração resplandecentes dos ipês!

trouxeram as lendas, os mitos,

Os contos, os encantos nos cantos

das lavadeiras Beradeiras

Entoando na beira a lua e flor...

 

Trouxeram a madrugada brumosa

Reacendendo na floresta misteriosa

A poronga que o coração ilumina

nas nebulosas veredas do ser

Nos sem fim dos seringais

 

Trouxeram a placidez dos igapós

Do ouro derramado sobre a paisagem,

Nas filigranas, nas lianas e nos cipós

Da maestria dos seus pincéis nasceram

a alquimia dos arrebóis...

 

As cores de Rita Queiróz trouxeram

o infinito do belo, o puro e o singelo

Rebrilhando rebojando, pra dentro de nós. ..

 

2-NOSSAS HISTÓRIAS

 

Sou um amante de histórias

Sorvo palavras no cálice sagrado

das minhas memórias

As lembranças são joias caras

Rebrilham aves raras no céu escarlate

do meu coração

Somos frutos sagrados de dois corações

Somos ventos faceiros que movem

as folhas da nossa emoção

Escrevemos nossas histórias que um dia

olhos alados certamente pousarão

Os livros envelhecem, as palavras não

Ficam por aí inflando velas,

navegando emoção

O amor, esse nobre senhor

E suas belas histórias jamais,

Jamais passarão...

 

3-DO OUTRO LADO DA LUA

 

Tentei aprisionar a prata da lua na

algibeira dos meus devaneios

Derramei lágrimas sobre faces pétreas.

Na pré-história dos meus desatinos

Vestígios de palavras calaram no meu

silêncio a saudade das luas passadas,

Encerradas, segredadas nas sombrias

dobras do tempo...

 

O pingar implacável das horas

As sombras da noite escondendo as

sobras do meu lúgubre pensamento

Como um lobo da estepe, à espreita...

Lunático e predador...

 

Grito dentro do meu grito

Dilacero meus sonhos, me enterro em

tuas fantasias me apodero do teu prazer

Me desterro em tuas entranhas

No lado obscuro da noite

Da negra face da lua...

 

4-NOBREZA

 

Clara como as nuvens

São as asas do teu cavalgar

Alvoroço de pelos

Alvor primeiro na fabula

Equestre que reveste as manhãs

Crinas de lírios celestes

Decifrando a linguagem

Assobiante do vento

Dilatando as pupilas dos sonhos

Na tua nobreza incessante

Na tua leveza indelével,

Vestígio de tuas espumas

lácteas galopantes

Salpicadas sobre o revolto

mar do tempo!

 

5-FOZ

 

Sóis e sóis

não revelarão

 

o que nós, só nós

vislumbramos a sós

 

embuçados sob os

subterrâneos dos lençóis

 

como um rio veloz

desatando os nós

 

na frouxidão dos cós

varando os ilhós

 

ressoando nossa voz

antes e após

 

o amor deságua

nossos ais

 

na lassidão do

prazer que foi feroz

 

na mansidão da

nossa foz!

 

6-RASTROS

 

Sei que daqui a pouco serei apenas rastros,

dentro dos meus olhos não caberão mais

os faiscantes astros

 

E o desértico vento em um morno sopro,

todos os vestígios da minha breve jornada

sutilmente apagará...

 

As lágrimas por mim vestidas

se transformarão em sintonia de cigarras e grilos

em um fim de tarde febril

 

Todos os desalentos do meu nada

se extinguirão

e o inexorável e temido mistério

se revelará

 

Os pássaros tomarão posse

do silêncio

da minha ausência

 

Trarão o canto e a noturna nostalgia

da alegria

vivida dos campos em flor

 

As caricias das brisas primaveris

nas noites inebriantes

apagarão em meu corpo

tuas brasas adormecidas...

 

E uma lágrima teimosa,

dorida, tardia...

brotará do jardim calcinado

do teu olhar...

 

7-ÁGUAS AMAZÔNICAS

 

Mares de água doce, varando nossos quintais

Emoldurados por asas e matagais

Alimentando e aplacando a sede de homens e animais

Águas fantásticas, absolutas e mágicas

Águas amansadas, represadas e solitárias

Águas rebeldes, agitadas, indomadas

Águas que assustam, águas poderosas,

implacáveis, perigosas

Águas remansadas, mansas e piscosas

Águas matutas, astutas e dissolutas,

águas enamoradas,

Águas acesas, banhadas de lua

Águas serenas, banho de cuia

Águas surpresas, banho de chuva

Águas caladas dentro de nós, igapós

Águas de igarapé, águas bentas de fé,

varando os canais, suas veredas

murmurantes de paz nos seus aguaçás

Águas ilustres, seus silêncios lacustres

Aguadouro, varadouro, tesouro rebrilhando ouro

Águas colossais, ressonância cósmica

alumbrandos os mananciais

Águas encontradas, adoradas, acanoadas,

Águas de visitação, águas de contemplação

desaguadas nas artérias etéreas do meu

e do teu coração.

 

8-NOBRES MATIZES (coração nordestino)

 

Esse chão que tem brilho celestino

e áridas cicatrizes supliciantes,

das alvíssaras asas do destino,

nobres matizes belos e pujantes!

 

Dos teus rincões recônditos, rebrilham

teus aboios merencórios, teu sertão...

tuas vozes alterosas estrebrilham,

tua poesia que conquistou a nação!

 

Povo de fé, talento e bravura

transbordando magia, versos, cordéis

tua cultura, genuína, bela, pura...

 

Patativa, Ariano, Conselheiro,

zabumbam dentro do meu peito, este

coração, nordestino... Brasileiro!

 

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Selmo Vasconcellos

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