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Investigações envolvendo R$ 63 bilhões podem demorar até dez anos

Os valores se referem às operações "Greenfield", "Cui Bonno?" e "Sépsis".

FOLHA UOL

20 de Janeiro de 2018 às 09:50

Investigações envolvendo R$ 63 bilhões podem demorar até dez anos

FOTO: (Divulgação)

Investigações envolvendo R$ 63 bilhões conduzidas pelo MPF (Ministério Público Federal) podem levar até dez anos para serem concluídas e alguns crimes correm risco de prescrever. Os valores se referem às operações Greenfield, Cui Bonno? e Sépsis. O grande volume de informações coletadas e o pequeno número de procuradores e investigadores da Polícia Federal atuando nos casos são as razões para a demora.

 

"No atual ritmo, seria necessário pelo menos dez anos para analisar tudo o que já existe", disse uma pessoa ligada às investigações ouvida pela reportagem. As operações Greenfield, Cui Bonno? e Sépsis são conduzidas pelo MPF no Distrito Federal.

 

A Greenfield, iniciada em setembro de 2016, apura desvios de R$ 53,8 bilhões e investiga mais de 50 grupos econômicos. Eles são suspeitos de terem recebido investimentos de fundos de pensão estatais de forma irregular.

 

A Sépsis (iniciada em julho de 2016) e a Cui Bonno (em janeiro de 2017) apuram desvios de R$ 9,2 bilhões e cobrança de propina para a liberação de financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal.

Risco de prescrição?

 

"Se não tivermos mais gente, é possível que alguns crimes prescrevam", disse uma pessoa ligada às três investigações. Diante do atual cenário, os procuradores estariam dando prioridade a crimes que ocorreram há mais tempo para evitar a prescrição.

 

A estimativa da Força-Tarefa da Operação Greenfield é de finalizar até setembro deste ano as investigações de pelo menos 10 dos 50 grupos econômicos suspeitos de irregularidades. 

 

A fonte ouvida pelo UOL disse que, apesar do risco de prescrição de alguns crimes, as ações de ressarcimento de recursos desviados não seriam afetadas, pois os prazos de prescrição não se aplicam a esse tipo de ação.

 

Em dezembro do ano passado, o MPF pediu o ressarcimento de R$ 2 bilhões em ações referentes a desvios cometidos no Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal). 

 

Atualmente, nove procuradores e procuradoras lotados no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo estão conduzindo as investigações. Desses, apenas quatro estão dedicados exclusivamente aos casos. Os outros cinco estão acumulando funções.

 

Outro problema que estaria prejudicando o andamento das investigações seria a carência de agentes da PF atuando nesses casos. Em novembro de 2017, na semana de sua nomeação, o diretor-geral da PF, Fernando Segóvia, prometeu aumentar o número de agentes a um grupo de procuradores. Dois meses e meio depois, a promessa ainda não havia sido cumprida. 

 

Investigações atingiram políticos, empresas e estatais

 

Os operações Greenfield, Cui Bonno e Sépsis sugiram como desdobramentos da Operação da Lava Jato e atingiram figuras centrais do atual governo do presidente Michel Temer (MDB).

 

Foi durante as investigações da Greenfield que os procuradores começaram a investigar as relações suspeitas do grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista, com bancos e fundos de pensão estatais.

 

Pressionados pelos investigadores, os irmãos Batista firmaram acordos de delação premiada que resultaram em duas denúncias contra o presidente Temer, acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de crimes como corrupção passiva, obstrução de justiça e participação em organização criminosa.

 

As duas denúncias foram suspensas pela Câmara dos Deputados e só voltarão a tramitar após o final do seu mandato. Temer nega as acusações.  

 

Também foi a Operação Greenfield que colocou pressão sobre Temer para que ele afastasse quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal suspeitos de terem cometido irregularidades na liberação de créditos do banco. 

 

Já as operações Sépsis e Cui Bonno?, auxiliadas pela delação premiada do empresário Lúcio Funaro, levaram à prisão de Geddel Vieira Lima e à descoberta de um "bunker" onde, segundo as investigações, a família do ex-ministro escondia R$ 51 milhões.

 

Geddel é suspeito de ter recebido pelo menos R$ 20 milhões em dinheiro de propina pagos por empresas em troca da liberação de créditos da Caixa Econômica Federal. Ele nega as acusações. 

 

Outro lado

 

Procurada pela reportagem, a PGR disse ter uma "preocupação constante em atender todos os pedidos" de ampliação de equipe que chegam ao órgão. No caso específico da Greenfield, a PGR informou que renovou a cessão de um procurador em regime de dedicação exclusiva para atuar no caso e que renovou a autorização para que outros dois procuradores continuem atuando na Força-Tarefa da Operação Greenfield.

 

A PGR disse ainda que, apesar de não haver um pedido formal de ampliação da equipe da força-tarefa, o órgão analisa um relatório encaminhado em agosto e reiterado em setembro do ano passado sobre a estrutura a serviço investigações.

 

Procurada, a PF enviou nota informando que as operações Sépsis e Cui Bonno? se encontram "na sede da Polícia Federal, no GINQ (Grupo de Inquéritos que tramitam no STF), unidade  que recebeu recentemente reforço de pessoal, dobrando de efetivo". A PF disse ainda que "sempre que dimensionado pela autoridade policial responsável pelo projeto de investigação, alocado os profissionais e meios tecnológicos necessários ao prosseguimento das muitas e complexas Operações Especiais de Polícia Judiciária em todo o País".

 

Em relação à Operação Greenfield, a PF informou que o responsável pela investigação está finalizando um período de licença-capacitação e que e "quando retornar, ficará responsável por sanear as investigações e propor um plano de ação para o projeto de investigação sob sua gestão, indicando os servidores e os meios necessários". 

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